Democratas e Republicanos

1 – Os Democratas e sua burocracia empresarial destruíram, há décadas, as tendências de esquerda e até socialistas do partido, sobretudo a partir dos anos 1960 com as lutas civis. Há um documentário com Norman Mailer em que ele conta isso. As pautas sociais – como saúde pública – não emplacam. Demorou para que um nome mais oficial, no caso Bernie Sanders, peitasse o poder econômico de Wall Street, ainda que só no discurso. No mais, há o sorriso falso e supostamente simpático de víboras como os Clinton ou mesmo Biden e Kamala, o liberalismo político e econômico e os objetivos bélicos do complexo industrial-militar, que é o que ainda garante (mas está no fim) o capital hegemônico (“imperialismo”) dos EUA. É muito importante brasileiros e latino-americanos, sobretudo comunistas, terem tal consciência diante de nossa elite dependente, para, então, saber onde é que podem estar os camaradas socialistas e internacionalistas dos EUA. Os desprezíveis Republicanos, por sua vez, que já tiveram um Lincoln, mudaram totalmente no curso do século 20 e resumem-se hoje à extrema-direitalha dos neocons (incitados sobretudo com Reagan e ressuscitados com Trump) e do tea party, ou seja, contra todas as ideias liberais da própria direita, com nacionalismo e supremacismo equivalentes ao nazifascismo europeu (e, de fato, historicamente, um influenciou o outro). Este tem sido o cenário deprimente dos EUA – direita versus extrema-direita, Estado capitalista bélico entre o low profile empresarial defensor de pautas identitárias (mera cooptação capitalista ilusória, que perpetua o homem, branco, heteronormativo e monoteísta no patronato e no poder econômico) ou o obscurantismo medíocre. Da perspectiva das duas revoluções – a da independência contra os colonizadores e a Guerra Civil entre industrialistas do Norte e escravistas do Sul, com os negros no meio, entre a exploração do trabalho assalariado e a exploração escravista,
em suas cooperativas socialistas do movimento abolicionista -, olhamos os muros contra imigrantes, o medo do terrorismo, as guerras provocadas pelo mundo, a prosperidade fruto dessas guerras e da dominação estrangeira em busca de roubar o petróleo ou do assassinato econômico, a megalomania espelhada no Império Romano (o fascista Mussolini prometia recuperar a grandeza do Império Romano aos italianos), o caos social entre o Black Lives Matter e grupos brancos armados, maior população carcerária do planeta, bilionários e trabalhadores com débitos médicos impagáveis, milhares de óbitos por COVID-19, permanente genocídio negro da polícia, etc. etc. etc. e tantos outros sintomas, trata-se dum fracasso retumbante em termos de país e de sociedade e dos sonhos cósmicos de humanismo, liberdade e democracia, fracasso muito maior que o da gloriosa Revolução Soviética, por exemplo.

2 – Nada mais esclarecedor do que o comentário chocante que li hoje mais cedo de uma mulher dos EUA – com a melhor das intenções! – nas redes antissociais, e que resume totalmente o imperialismo decadente da perspectiva deles, resume bem Biden e Trump, Democratas e Republicanos:

“Melhor o Biden, porque ele arranjará problemas em outros países, ao contrário de Trump, que arranja problemas aqui, internos.”

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